Solange Amaral O elevado número de crianças em famílias de classe baixa resulta num verdadeiro massacre quando o assunto é desastre natural. Pensar nessas famílias sucumbidas por avalanches de água, pedras e lama é constatar a falta de responsabilidade do poder público com a população, em especial, a de baixa renda. Mais que as chuvas no Rio de Janeiro, esses seres humanos foram atingidos pelo descaso, pois construíram suas moradias em cima de lixões. A segregação da sociedade existe desde a Idade Média, mas é cruel pensar que as classes mais baixas são as mais atingidas em catástrofes dessa magnitude. Pior ainda é saber que as crianças dessas famílias nascem e morrem em condições desfavoráveis por descaso das autoridades, que pouco fazem para mudar essa realidade. A informação de que oito crianças de uma creche que funcionava no Morro do Bumba, em Niterói, foram resgatas com vida renova a esperança dos heróis que buscam por suspiros de vida em meio aos escombros. Mesmo com todo esse esforço, infelizmente, quase metade dos desabrigados dessa tragédia são crianças. A solidariedade brasileira nesses momentos é sempre grandiosa, mas precisamos focar em políticas públicas que evitem, ou pelo menos, amenizem o sofrimento da população. Por fatos como esse, defendo que o governo federal, o nosso governo central, tenha uma agência de gerenciamento de riscos que englobe todos os municípios. Hoje, o problema é no Rio de Janeiro. Ontem, foi em Santa Catarina, na Bahia, em Pernambuco. Amanhã, poderá ser em qualquer outro estado. São emergências que podem ser previstas e amenizadas, caso haja tratamento específico para essas situações. Esta tarefa deve ser coordenada de forma central e as ações articuladas com os poderes locais.
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